
Não há dúvidas: os americanos adoram comer. Desfrutar de boa comida em boa companhia é um dos grandes prazeres da vida. E, no entanto, frequentes indulgências podem ter um impacto prejudicial em condições como a obesidade e o diabetes tipo 2, que afetam um grande número de pessoas, comunidades e nosso sistema de saúde. Substituir alimentos e bebidas ricos em calorias e açúcares adicionados por aqueles que são reduzidos em açúcar é uma opção para ajudar a reduzir a ingestão de calorias em excesso. Por sua vez, isso pode ajudar a reduzir o risco de obesidade e doenças crônicas relacionadas. Um tipo de edulcorante de baixa caloria, a sucralose, tem sido usada em alimentos e bebidas há décadas como uma forma de reduzir o consumo de açúcares adicionados, ao mesmo tempo que fornece satisfação de desfrutar de algo doce. Esta fact sheet examinará a evidência de muitos tópicos de interesse em torno da sucralose e da saúde, para que você possa tomar decisões informadas sobre a como usá-la em sua dieta.
O QUE É SUCRALOSE?
A Sucralose é um edulcorante sem calorias que contribui com doçura em alimentos e bebidas sem adicionar calorias ou carboidratos. É feita de um processo que começa com o açúcar de mesa regular (sacarose); no entanto, a sucralose não é um açúcar. Três grupos selecionados de hidrogênio-oxigênio em uma molécula de sacarose são substituídos por três átomos de cloro, resultando em um edulcorante sem calorias que é cerca de 600 vezes mais doce que o açúcar. Embora a sucralose proporcione doçura, sua estrutura evita que as enzimas do trato digestivo a decomponham. A maior parte da sucralose consumida (cerca de 85%) não é absorvida. Da pequena quantidade absorvida (cerca de 15%), nenhuma parte é metabolizada em energia, portanto, a sucralose não fornece nenhuma caloria. Toda a sucralose absorvida é excretada rapidamente pela urina (Roberts 2000, Magnuson 2016).
A Sucralose é o edulcorante sem calorias usado em adoçantes comuns comercializados nos EUA com a marca SPLENDA® e também é usado em outros adoçantes de varejo, como aqueles vendidos sob marcas próprias. A sucralose é encontrada em bebidas e alimentos como goma de mascar, produtos lácteos, frutas enlatadas, xaropes e condimentos. Por ser estável a altas temperaturas, a sucralose pode ser usada em produtos assados. No entanto, um alimento contendo sucralose pode ser ligeiramente diferente do seu similar feito com açúcar, porque o açúcar também desempenha um papel na estrutura, na textura e no sabor dos alimentos. Como todos os adoçantes com baixa ou sem calorias, apenas quantidades muito pequenas de sucralose são necessárias para alcançar a doçura do açúcar. Para tornar a medição e a manipulação mais fáceis, os edulcorantes de baixa caloria como a sucralose são geralmente misturados com ingredientes alimentares aprovados. É por isso que um sachê de adoçante de sucralose parece igual em quantidade a um sachê de açúcar de mesa, por exemplo.
O QUE É UM IDA?
A ingestão diária aceitável, ou IDA, é a ingestão diária média ao longo da vida que se espera seja segura com base nas principais e mais importantes pesquisas (WHO 2009). Geralmente é derivada da determinação do maior nível de ingestão encontrado sem efeitos adversos em estudos ao longo da vida em modelos animais. Estes estudos são exigidos pelo FDA e outras agências reguladoras em todo o mundo antes de permitir qualquer novo ingrediente alimentar. Essa quantidade é então dividida por 100 para determinar a IDA (Renwick 1991). A IDA é um número conservador que a grande maioria das pessoas não alcançará.
A SUCRALOSE É SEGURA PARA CONSUMO?
SIM. Mais de 100 estudos sobre segurança, representando mais de 20 anos de pesquisas, têm mostrado que a sucralose é segura. A Food and Drug Administration (FDA) aprovou seu uso em categorias específicas de alimentos em 1998 e expandiu a aprovação para todas as categorias de alimentos e bebidas em 1999. Autoridades globais de saúde como a European Food Safety Authority (EFSA), the FAO/WHO Joint Expert Committee on Food Additives (JECFA), Japan’s Ministry of Health, Labor and Welfare, Food Standards Australia New Zealand and Health Canada também descobriram que a Sucralose é segura.
A FDA estabeleceu uma dose diária aceitável (IDA) para a sucralose em 5 miligramas por quilograma de peso corporal (mg / kg) por dia. A IDA representa uma quantidade 100 vezes menor que a quantidade de sucralose considerada segura em estudos de pesquisas. Para uma pessoa pesando 68 kg, isso equivale a 340 mg de sucralose – a quantidade encontrada em nove latas de refrigerante diet ou mais de 28 sachês individuais de sucralose – consumida, em média, todos os dias ao longo da vida. Embora as estimativas de exposição pela dieta à sucralose sejam limitadas nos Estados Unidos, as previsões de ingestão diária estão abaixo da IDA (1,3 mg / kg por dia para um adulto médio e máximo consumo até 2,4 mg / kg por dia, FDA 1998, FDA 1999). A sucralose tem sido considerada segura em níveis centenas de vezes esse valor. Globalmente, o consumo de sucralose também permanece bem abaixo da IDA estabelecida pelo JECFA, que é de 0 – 15 mg / kg por dia. Uma revisão científica de 2018 descobriu que os estudos realizados desde 2008 não levantaram preocupações em se exceder a IDA dos principais edulcorantes de baixa e sem calorias, incluindo a sucralose, na população em geral (Martyn 2018).
A SUCRALOSE É SEGURA PARA CRIANÇAS?
SIM. Os alimentos adoçados com sucralose podem adicionar doçura à dieta de uma criança sem contribuir para o aumento da ingestão de calorias, ingestão de açúcar ou risco de cáries. Tal como acontece com os adultos, a ingestão atual de adoçantes por crianças é considerada como bem dentro dos níveis aceitáveis. Em razão do número limitado de estudos em crianças, a Academia Americana de Pediatria não tem recomendações oficiais sobre a ingestão de adoçantes de baixa caloria.
GESTANTES E MULHERES EM FASE DE AMAMENTAÇÃO PODEM CONSUMIR SUCRALOSE?
SIM. Mulheres grávidas e lactantes frequentemente se preocupam com a influência de alimentos, bebidas e medicamentos na saúde de seus bebês. Pesquisas demonstraram que a Sucralose não tem efeitos adversos em gestantes ou em lactantes ou sobre o feto, e não se conhece efeitos colaterais do consumo de sucralose (Grotz and Munro 2009, Magnuson 2017). Como apenas pequenas quantidades de sucralose são absorvidas na corrente sanguínea, a quantidade de sucralose presente no leite materno é muito baixa (Sylvetsky 2015). Todas as mulheres devem tentar consumir os nutrientes e calorias necessárias para o crescimento do bebê durante a gravidez e amamentação, tomando cuidado para não exceder suas necessidades. Isso pode incluir ter em mente todas as fontes de dulçor, sejam eles do açúcar ou de adoçantes de baixa caloria.
PESSOAS COM DIABETES PODEM CONSUMEM SUCRALOSE?
SIM. Os produtos contendo sucralose proporcionam um sabor adocicado e costumam ser reduzidos ou baixos em carboidratos, o que é importante para as pessoas que precisam monitorar sua ingestão de carboidratos. A sucralose não aumenta os níveis de açúcar no sangue nem afeta o controle da glicose no sangue. As 2018 American Diabetes Association Standards of Medical Care in Diabetes afirmam que “O uso de adoçantes não nutritivos pode reduzir o consumo total de calorias e carboidratos se substituírem os açúcares, sem a compensação pela ingestão de calorias adicionais de outras fontes alimentares. Os adoçantes não nutritivos são geralmente seguros para uso dentro dos níveis definidos de ingestão diária aceitável.” Esta declaração é apoiada pela Academy of Nutrition and Dietetics, Diabetes UK, and Diabetes Canada. As pessoas com diabetes devem conversar com um nutricionista, com um profissional de saúde ou com um educador certificado em diabetes para aconselhamento sobre alimentação saudável para melhorar o controle do açúcar no sangue.
A SUCRALOSE ME AJUDARÁ A PERDER OU MANTER O MEU PESO?
A substituição de alimentos e bebidas com açúcar por seus equivalentes adoçados com sucralose pode desempenhar um papel na perda ou no controle de peso. Em uma pesquisa com membros do National Weight Control Registry, o maior estudo de pessoas que emagreceram e mantiveram o peso conquistado, mais de 50% dos entrevistados declararam consumir regularmente bebidas de baixa caloria, 78% dos quais sentiram que isso os ajudou a controlar sua ingestão de calorias (Catenacci 2014).
Dados de ensaios clínicos controlados e randomizados, considerados o padrão ouro para avaliar os efeitos causais, sustentam que substituir as opções regulares com calorias por versões com adoçantes de baixa caloria leva a uma modesta perda de peso (Miller 2014, Rogers 2016). Por exemplo, em um estudo, mais de 300 participantes foram designados a consumir água ou bebidas adoçadas com edulcorantes de baixa caloria durante um ano como parte de um programa de perda de peso. As pessoas do grupo que foram orientadas a consumir os adoçantes de baixa caloria perderam 6,21 kg em média, comparadas com o grupo que foi orientado a consumir água, que perdeu 2,45 kg (Peters 2016).
Alguns estudos observacionais têm demonstrado uma associação entre adoçantes de baixa caloria e aumento de peso e circunferência da cintura (Fowler 2016). Estudos observacionais, que examinam a relação entre a exposição (como a ingestão de sucralose) e um resultado (como peso corporal ou estado de saúde), não são capazes de fornecer evidências diretas de causa e efeito. Além disso, os estudos observacionais não são randomizados, dessa forma, não podem controlar todas as outras exposições ou fatores que possam estar causando ou influenciando os resultados. Por exemplo, uma hipótese é que as pessoas podem compensar as escolhas “sem calorias” comendo ou bebendo mais calorias por outras escolhas alimentares ou refeições futuras (Mattes 2009). Pense em uma pessoa que pode justificar o pedido da sobremesa em um restaurante, por ter consumido um refrigerante diet em sua refeição: as calorias extras da sobremesa serão maiores do que as calorias economizadas ao pedir a bebida dietética.
Essas calorias adicionais podem contribuir para o ganho de peso ou evitar maior perda de peso. Também tem sido sugerido que pessoas que já estão com sobrepeso ou obesas podem começar a escolher alimentos e bebidas adoçados com adoçantes de baixa caloria como um método para perder peso (Drewnowski 2016). Isso dificulta assumir que o uso de um adoçante de baixa caloria pode ser a causa do ganho de peso. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes (uma abordagem científica que combina descobertas de muitos estudos em uma análise robusta) concluíram que, em geral, os achados dos estudos observacionais não mostraram associação entre o consumo de edulcorantes de baixo teor calórico e o peso corporal e uma pequena associação positiva com índice de massa corporal (IMC) (Miller 2014, Rogers 2016).
É importante notar que perder e manter o peso geralmente exigem várias abordagens simultâneas. Fazer mudanças simples, como substituir produtos adoçados com açúcar por produtos com adoçantes de baixa caloria, adotar práticas comportamentais como adotar uma dieta saudável, fazer exercícios regularmente, dormir o suficiente e manter redes de apoio social são fatores importantes para alcançar as metas de perda e de manutenção de peso.
A SUCRALOSE AFETA O CONTROLE DO AÇÚCAR NO SANGUE?
Alimentos e bebidas feitos com sucralose são frequentemente recomendados para pessoas com diabetes como uma alternativa aos alimentos e bebidas açucarados. Extensas pesquisas mostram que a sucralose não aumenta os níveis de açúcar no sangue nem afeta o controle da glicemia em humanos (Nichol 2018, Romo-Romo 2017, Grotz 2017), e uma recente declaração consensual de especialistas em nutrição, medicina, atividade física e em saúde pública concluiu que o uso de adoçantes de baixa caloria no controle do diabetes pode contribuir para um melhor controle glicêmico (Serra-Majem 2018).
Apesar dessas conclusões, alguns estudos têm levantado periodicamente questões sobre a sucralose e o controle da glicose. Um ensaio randomizado propôs que a sucralose pode “preparar a bomba” para aumentar as concentrações de glicose e insulina no sangue se os açúcares da dieta forem ingeridos com ou logo após os edulcorantes de baixa caloria (Pepino 2013). Os resultados de muitos outros ensaios clínicos randomizados não suportam essa hipótese (Temizkan 2015, Grotz 2017). Alguns estudos observacionais demonstraram uma associação entre o consumo de adoçante de baixa caloria e o risco de diabetes tipo 2 (Sakurai 2014, Imamura 2015), mas eles não são capazes de vincular causa e efeito de forma direta e, assim como os estudos de peso corporal e obesidade, estão em risco de confusão. Por exemplo, muitos estudos não se ajustam ao status de obesidade, como fator contribuinte direto para o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Como indivíduos com sobrepeso e obesidade tendem a consumir mais bebidas adoçadas com edulcorantes de baixo teor calórico em comparação com indivíduos magros (Bleich 2014), essa é uma omissão crítica.
Muitas organizações médicas, de nutrição e de saúde pública em todo o mundo, apoiadas por um grande corpo de evidências, apoiam o consumo de adoçantes de baixa caloria em pessoas com diabetes. Esses indivíduos, ou aqueles que estão em risco de desenvolver diabetes, devem estar conscientes do consumo de alimentos e bebidas de todas as fontes, incluindo aqueles que contêm açúcares e edulcorantes de baixa caloria. É importante conversar sobre nutrição com um médico ou um nutricionista e adotar uma dieta saudável e equilibrada para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle.
PESQUISAS EMERGENTES: A SUCRALOSE PODE PROVOCAR MAIS FOME EM MIM?
Alimentos altamente palatáveis ativam regiões cerebrais de recompensa e prazer. Essa associação positiva pode aumentar o apetite e, se não for controlada, o aumento resultante no consumo de alimentos pode levar ao sobrepeso e à obesidade (Singh 2014). A substituição de alimentos com alto teor calórico e açúcar por seus equivalentes feitos com edulcorantes de baixa caloria mostrou um efeito similar nos caminhos de recompensa, mas sem contribuir com calorias adicionais.
Algumas pessoas expressaram preocupação de que ativar vias de recompensa sem entregar açúcar ao corpo pode ter consequências não esperadas, e o papel que os edulcorantes de baixa caloria desempenham no apetite e nos desejos por comidas é uma área da pesquisa em desenvolvimento. Como observado em revisões recentes (Fowler 2016, Sylvetsky & Rother 2018), algumas pesquisas em modelos animais têm demonstrado mudanças na ingestão de alimentos e nos hormônios relacionados ao apetite após o consumo de edulcorantes de baixa caloria. E ainda, efeitos semelhantes não foram vistos em humanos. Até o momento, não há fortes evidências de que os edulcorantes de baixa caloria, incluindo a sucralose, aumentem o apetite ou os desejos em humanos (Rogers 2017), e alguns estudos randomizados demonstraram o efeito oposto – incluindo a diminuição da fome (Peters 2016) e a redução do consumo de sobremesas em comparação com aqueles que beberam água (Piernas 2013). Outros estudos não mostraram nenhum efeito da sucralose sobre os hormônios que regulam a fome e a saciedade (Steinert 2011, Ford 2011) ou sobre o consumo total de energia e a seleção de alimentos doces (Bellisle 2015, Fantino 2018).
Essas discrepâncias sublinham uma área em que animais e humanos são inerentemente diferentes como sujeitos de pesquisa. Nos humanos, a ligação entre fisiologia, psicologia, experiências pessoais e comida é inconfundivelmente complexa, e a tradução das pesquisas com animais para essa área de estudo deve ser vista com cautela.
PESQUISAS EMERGENTES: O QUE É O MICROBIOMA?
Os micróbios que vivem em nosso trato intestinal tornaram-se reconhecidos como contribuintes potencialmente significativos para nossa saúde, embora as pesquisas sobre o microbioma intestinal ainda estejam engatinhando. Em roedores, a exposição à sucralose resultou em efeitos amplos e inconsistentes (Bian 2017, Uebanso 2017). Até o momento, existem poucos estudos sobre o efeito da sucralose no microbioma intestinal humano, embora se saiba que ela não é metabolizada pela microbiota intestinal (Magnuson 2017). Existem diferenças significativas entre os perfis do microbioma de uma pessoa para outra e as pesquisas têm mostrado que o microbioma intestinal muda em resposta a mudanças comuns na dieta (David 2014). Ainda é necessário um grande volume de pesquisas para identificar o perfil de um microbioma e o grau de diversidade considerado “ótimo” nas populações e nos indivíduos.
QUAL É A CONCLUSÃO?
Todos os tipos de alimentos e bebidas podem ter um lugar em nossas dietas, incluindo aqueles feitos com sucralose. A sucralose foi aprovada pela FDA há duas décadas e sua segurança tem sido reconhecida por muitas agências internacionais de saúde.
O impacto da sucralose e sua associação com condições crônicas, como obesidade e diabetes, têm sido extensivamente estudados. Estudos observacionais ligando edulcorantes de baixa caloria ao ganho de peso inerentemente não podem demonstrar uma relação causal, enquanto ensaios clínicos randomizados sustentam consistentemente que edulcorantes de baixa caloria como a sucralose podem ser úteis em estratégias nutricionais para auxiliar na perda e na manutenção do peso. A sucralose não tem impacto nos níveis de açúcar nem nós níveis da insulina no sangue em estudos randomizados e nenhum efeito sobre o apetite.
A adoção de um estilo de vida saudável e ativo, adaptado a metas e prioridades pessoais, é vital para apoiar o bem-estar do indivíduo. A escolha de alimentos e bebidas adoçados com edulcorantes de baixa caloria, como a sucralose, é uma maneira de controlar a ingestão de açúcar e manter as calorias sob controle, que são componentes importantes para manter a saúde e reduzir o risco de doenças relacionadas à dieta.
